Prefeito de SP articula apoio a Flávio e enfrenta impeachment
Câmara Municipal instalou comissão para analisar pedido de afastamento de Ricardo Nunes enquanto ele mobiliza apoio a Flávio Bolsonaro em São Paulo.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), teve papel ativo na articulação de apoios à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no estado, mobilizando prefeitos da Região Metropolitana paulista. Ao mesmo tempo, Nunes enfrenta nesta quinta-feira (29) uma nova frente de desgaste na Câmara Municipal, que instalou uma comissão especial para analisar pedido de impeachment apresentado por vereadores do PSOL.
Embora não seja identificado como um bolsonarista de primeira hora, Nunes construiu ao longo da gestão municipal alianças e vínculos com nomes ligados ao grupo político de Jair Bolsonaro. Na eleição municipal de 2024, ele aceitou compor a chapa com o coronel da reserva Ricardo Mello Araújo (PL), indicado pelo próprio Jair Bolsonaro para a vice-prefeitura. Em abril de 2025, o prefeito discursou em um ato contra o Supremo Tribunal Federal (STF) na Avenida Paulista e foi tratado como anfitrião pelos organizadores do evento.
Uma reportagem revelou que a prefeitura de São Paulo firmou contratos que somam R$ 108 milhões com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalação de pontos de Wi-Fi na cidade. A presidente da entidade, Karina Ferreira da Gama, também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. O caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Nunes negou irregularidades e classificou as apurações como perseguição política.
A gestão municipal também contratou, sem processo de licitação, o Instituto Iter, entidade fundada pelo ministro do STF André Mendonça, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro. Os valores dos contratos divulgados variam de R$ 183 mil a R$ 380 mil.
Antes de assumir a prefeitura, Nunes já atuava em causas associadas ao bolsonarismo quando era vereador. Ele foi um dos articuladores da retirada de menções a "gênero" e "orientação sexual" do Plano Municipal de Educação (PME) de São Paulo e defendia a adoção do programa "Escola sem Partido".
A comissão especial instalada na Câmara Municipal analisa denúncia do PSOL que aponta possível descumprimento de uma ordem judicial sobre a circulação integral de ônibus durante o segundo turno das eleições, além de suspeita de pressão sobre servidores comissionados para participar de atividades eleitorais. O colegiado tem dez dias para emitir parecer sobre o pedido. A abertura efetiva de um processo de impeachment contra o prefeito ainda depende de decisão posterior do plenário da Câmara.
Foto: Metrópoles
No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.