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2 de nov de 2026

Lula terá de negociar com Centrão para governar Congresso mais à direita

Direita amplia bancadas na Câmara e no Senado, mas fragmentação abre espaço para acordos no Centrão e mobilização digital da esquerda

Reeleito presidente da República no segundo turno disputado no domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a articular sua base de apoio para um Congresso Nacional que, a partir de fevereiro, terá maior presença de partidos de direita, com destaque para o PL, legenda do candidato derrotado Flávio Bolsonaro.

O PL terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 das 513 cadeiras, ante 70 do PT. No Senado, a sigla salta de 15 para 28 das 81 vagas, enquanto o PT ficará com apenas 9 senadores. Para aprovar um projeto de lei complementar são necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado; uma emenda constitucional exige 308 votos na Câmara e 49 no Senado — números que a direita, mesmo fortalecida, não alcança isoladamente.

A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, prevista para fevereiro, já mostra que o campo de direita não deve atuar em bloco único. Hugo Motta (Republicanos-PB) reúne apoio de partidos de centro e de esquerda para comandar a Câmara, enquanto Davi Alcolumbre (União-AP) tem interlocutores inclusive dentro do próprio PL para a disputa no Senado. O cenário indica espaço para o governo buscar alianças pontuais com o Centrão em votações estratégicas.

A margem de negociação, porém, deve exigir mudança de postura do Palácio do Planalto. Ao longo do terceiro mandato, Lula manteve relação distante com parlamentares, com queixas recorrentes sobre falta de acesso ao governo e a ministros, e só se aproximou dos chefes das duas Casas quando o período eleitoral se aproximava. Entre os efeitos desse distanciamento, o presidente viu um indicado seu ao Supremo Tribunal Federal ser rejeitado pelo Senado, derrota rara para um chefe do Executivo. Pautas como as reformas administrativa e previdenciária, ainda pendentes, dependerão de acordos que ultrapassem a base tradicional do governo.

Paralelamente à negociação institucional, a esquerda aposta na organização de uma frente digital para compensar a desvantagem numérica no plenário. Ao menos 13 deputados eleitos ou reeleitos por PT, PSOL, PCdoB e PSB, muitos deles com forte base nas redes sociais, planejam formar o que chamam de "bancada profissional digital", com discurso unificado e divulgação simultânea de conteúdo. André Janones (Rede-MG), reeleito deputado, comandou durante a campanha o canal de WhatsApp "Exército de Lula" e deve coordenar essa comunicação. Após se reunir com Janones na quinta-feira (29), Lula afirmou: "a gente vai trabalhar para fazer uma comunicação digital muito forte. Eu já não vou mais conversar com vocês via a interpretação da imprensa. Eu vou conversar com vocês através do canal do Janones".

Mesmo mobilizados, os parlamentares de esquerda reconhecem a desvantagem numérica: o PL tem isoladamente 121 deputados, número próximo à soma das bancadas de PT, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede, que juntas somam 124 parlamentares. Para o deputado eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP), que também integra o grupo articulado pela campanha petista, a disparidade numérica não significa fragilidade política: "Se por um lado eles (direita) têm uma vantagem numérica e uma correlação de forças favorável no Congresso Nacional, por outro, qualitativamente, a gente está muito mais pronto para enfrentar eles do que a esquerda já esteve em qualquer momento. E agora moralizados e empoderados pelo resultado que tivemos (eleição de Lula). Eles perderam".

Foto: O Globo

📊 No Reeleito

No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.

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