Defesa de Flávio Bolsonaro pede ao TSE investigação sobre Janones
Deputado é acusado de operar canal usado para atacar ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques durante a campanha eleitoral

A defesa da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que investigue o deputado federal André Janones (Rede-MG) por supostamente operar o canal de WhatsApp "Exército de Lula", apontado como instrumento de desinformação contra o pré-candidato e de ataques aos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, ambos indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro e integrantes da cúpula do TSE. O pedido foi apresentado na semana anterior a 19 de outubro de 2026 e expôs uma divergência dentro da própria Corte Eleitoral: o ministro Nunes Marques determinou a suspensão do canal, enquanto o ministro Ricardo Cueva decidiu mantê-lo em funcionamento.
Segundo a representação movida pelos advogados do PL, Janones teria sido escalado para mobilizar a militância nas redes sociais contra os dois ministros, que ocupam cargos na cúpula do TSE responsável por combater a desinformação eleitoral. Os advogados classificaram o canal mantido pelo deputado como "uma estrutura organizada, com comando centralizado, tropa disciplinada e método declarado, montada para produzir e espalhar desinformação em escala industrial em benefício de uma candidatura presidencial e, em muitos momentos, em ataque à Justiça Eleitoral e às instituições da República".
Um dia antes, de acordo com a mesma ação, Janones já havia sugerido que o afastamento de Rodrigues teria o objetivo de impedir que a Polícia Federal investigasse Flávio Bolsonaro por suposto pedido de dinheiro ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A saída de Rodrigues do comando da PF, no entanto, foi motivada pela produção de relatórios de inteligência sem fonte identificada e pelo monitoramento clandestino de autoridades — os mesmos relatórios usados pelo ministro Alexandre de Moraes para abrir processo contra Mendonça por abuso de autoridade.
Nos dias seguintes ao episódio, Janones passou a estimular seguidores a publicarem a expressão "fora Mendonça" nas redes sociais. Um pedido de prisão contra o deputado, levado ao TSE, foi distribuído por sorteio ao próprio Mendonça. Em áudio divulgado, Janones afirmou que cumpriria qualquer ordem de prisão, afastamento de conteúdo ou notificação vinda do ministro, mas disse que isso não o impediria de mobilizar seguidores contra o magistrado.
Os advogados da campanha de Flávio Bolsonaro sustentam que as críticas de Janones a Mendonça têm caráter institucional e mereceriam do TSE resposta semelhante à adotada por Alexandre de Moraes em eleições passadas, quando o ministro suspendeu perfis em redes sociais e abriu inquéritos contra apoiadores de Jair Bolsonaro acusados de atacar a Justiça Eleitoral.
Foto: Gazeta do Povo
No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.