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2 de nov de 2026

Lula terá lua de mel curta no 4º mandato, diz diretor da Eurasia

Christopher Garman afirma que desaceleração econômica e Congresso mais conservador devem dificultar a governabilidade de Lula em 2027

O diretor-executivo para as Américas da consultoria de risco político Eurasia Group, Christopher Garman, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ter um início de mandato com popularidade elevada, mas de curta duração, com risco de queda significativa de aprovação ao longo de 2027. A avaliação foi dada em entrevista exclusiva à Exame, após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

Segundo o analista, o principal desafio para o governo não é o nível de aprovação com que Lula chega ao novo mandato, mas a trajetória esperada desse indicador. Ele associa o resultado do primeiro turno a um sentimento de estagnação entre eleitores da classe média, somado a pessimismo com o futuro e preocupação com segurança pública e corrupção. "O problema para o presidente Lula é a trajetória futura, porque o que a gente viu nessa eleição é que a votação do primeiro turno foi uma expressão de um senso de estagnação grande da classe média, um pessimismo com o futuro, preocupação com segurança e corrupção", disse Garman.

Garman avalia que a desaceleração da economia e o fim dos estímulos fiscais e de crédito adotados nos últimos dois anos tendem a intensificar essa percepção de estagnação. Ele também apontou que a composição mais conservadora do novo Congresso deve dificultar a aprovação de medidas como aumento de carga tributária. "Vai ser um Congresso que vai dificultar a vida do presidente, vai dificultar a capacidade de aprovar aumento de carga tributária e o governo pode sofrer reveses, sim. As condições são favoráveis no início do mandato, mas uma lua de mel curta e um Congresso conservador podem dificultar a vida do presidente ao longo do tempo", afirmou.

Sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o diretor da Eurasia disse que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master prejudicou o governo no primeiro turno da eleição. Já no segundo turno, o afastamento desse tema do centro do debate eleitoral teria favorecido a recuperação de Lula na disputa.

Garman também comentou o futuro da direita após a derrota de Flávio Bolsonaro e sua saída do Brasil. Para ele, o bolsonarismo deve permanecer relevante na política nacional, mas a influência da família Bolsonaro sobre os partidos de direita tende a recuar, em razão da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do exílio dos dois filhos nos Estados Unidos. "Acho que o bolsonarismo não vai embora tão cedo, mas acredito que essa eleição é um ponto de inflexão. Vamos ver uma queda da influência do bolsonarismo na direita, não só porque o pai, o ex-presidente, permanece na prisão, mas também com os dois filhos exilados nos Estados Unidos", disse.

O analista ainda citou dados históricos para contextualizar o cenário eleitoral: a aprovação de Lula estava em 45% antes do início da campanha presidencial, patamar que, de acordo com um levantamento de 500 eleições ao longo de 40 anos, esteve associado à vitória do governante em mais de 70% dos casos. Segundo Garman, nenhum chefe de governo latino-americano com esse nível de apoio havia perdido uma disputa de reeleição até então.

Foto: Exame

📊 No Reeleito

No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.

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