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4 de nov de 2026

Brasil leva modelo do SUS contra mudanças climáticas à COP31

Ministério da Saúde vai apresentar investimentos do AdaptaSUS e ações da Força Nacional do SUS no encontro, em Antália, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro.

O Ministério da Saúde vai apresentar na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31, a estrutura criada no Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde da população brasileira. O encontro ocorre em Antália, na Turquia, entre os dias 9 e 20 de novembro de 2026.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, serão mostradas as transformações feitas no SUS para adaptar o atendimento e tornar as unidades de saúde mais resistentes a eventos climáticos extremos. “A crise climática é, sobretudo, uma crise de saúde pública. O tema da saúde, certamente, é o tema mais sensível, que pode ser o mais mobilizador para a sociedade como um todo agir sobre as ações necessárias para evitar as mudanças climáticas e também adaptar os sistemas de saúde”, afirma o ministro.

Entre as iniciativas que serão expostas na conferência está o programa AdaptaSUS, que prevê R$ 9,8 bilhões em investimentos até 2035. O programa viabiliza a construção de 2.795 unidades básicas de saúde resilientes, a entrega de 4.056 novas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a instalação de 783 soluções de água potável em terras indígenas e a implantação de 20,8 mil cisternas no semiárido do Nordeste e do Sudeste.

Também será apresentado o balanço da Força Nacional do SUS, criada em 2011 para dar resposta emergencial e reforçar equipamentos de saúde em situações de crise. Nos últimos quatro anos, 25 estados receberam apoio de 2.423 profissionais mobilizados, que realizaram 86.918 atendimentos em 104 missões. A maior delas ocorreu no Rio Grande do Sul, em razão das enchentes de 2024, com 763 profissionais e 29.019 atendimentos. A força já tem bases em funcionamento no Rio de Janeiro, em Salvador, em Manaus, em Porto Velho e em Porto Alegre, e deve inaugurar mais quatro até o fim do ano, em Recife, Fortaleza, Campo Grande e Belém.

A delegação brasileira também vai apresentar os Centros de Informação em Saúde e Clima, que monitoram qualidade do ar e da água, variações de temperatura e eventos climáticos extremos para antecipar riscos e preparar o sistema de saúde. Padilha destacou ainda a atuação do país no Grupo Baku, coalizão para clima e saúde que reúne Brasil, Azerbaijão, Egito, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, países que presidiram as últimas COPs. “Austrália e Turquia também ingressaram na coalizão e já consolidam suas participações com uma agenda de atividades que já vem ocorrendo antes mesmo da COP31”, disse o ministro, que citou também o Plano de Ação em Saúde de Belém, lançado durante a COP30, como outra iniciativa brasileira voltada à adaptação e ao fortalecimento da atenção a populações vulneráveis.

No mesmo dia, representantes do governo federal apresentaram na Câmara dos Deputados as demais contribuições que o Brasil levará à COP31. O país vai montar o “Pavilhão Brasil”, com cerca de 130 eventos, e mostrará dados sobre redução do desmatamento nos biomas, o novo inventário nacional de emissões de gases de efeito estufa e o Plano Clima, com 16 planos setoriais de adaptação e oito de mitigação. “Toda uma ampla agenda para mostrar para o mundo que a política climática no Brasil é levada muito a sério: é uma prioridade transversal do governo e a gente está atuando e convida os demais países, o setor privado e a sociedade a se juntar nesse esforço. É momento de acelerar a implementação”, afirmou o secretário nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloísio de Melo.

A COP31 deve reunir cerca de 60 mil pessoas apenas na área oficial de negociações. As discussões devem se concentrar na implementação do Fundo de Perdas e Danos e no financiamento para que os países, principalmente os em desenvolvimento, cumpram suas metas climáticas.

Foto: Agência Brasil - Últimas

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