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26 de out de 2026

Janja mantém papel de destaque na campanha e seguirá como primeira-dama

Atuação intensa ao lado de Lula gerou críticas dentro do próprio PT, mas a tendência é que ela preserve a influência conquistada no novo mandato.

Lula foi reeleito presidente da República no domingo (25), ao vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno — a primeira vez na história em que um candidato que chegou atrás no primeiro turno reverteu o resultado na votação decisiva. A vitória mantém a primeira-dama Rosângela "Janja" Lula da Silva no papel de destaque que ela assumiu ao longo do terceiro mandato do marido e que, durante a campanha de 2026, passou a dividir opiniões dentro do próprio PT.

Socióloga nascida em União da Vitória (PR), Janja é filiada ao PT desde os 17 anos e costuma se definir como “petista de carteirinha”. Ela e Lula se conhecem desde a década de 1990, época das Caravanas da Cidadania promovidas pelo partido, mas o relacionamento amoroso só teve início em dezembro de 2017. Janja participou das vigílias organizadas em Curitiba durante o período em que o petista esteve preso pela Polícia Federal, entre abril de 2018 e novembro de 2019, e esteve ao lado dele no discurso feito após a soltura. O casal passou a viver junto depois da saída da prisão e se casou em maio de 2022, em São Paulo.

Depois da posse, em 2023, Janja assumiu um perfil mais ativo do que o de primeiras-damas anteriores. Ajudou a organizar a cerimônia, incluindo a cena em que apoiadores subiram a rampa do Palácio do Planalto para entregar a faixa presidencial a Lula, e esteve por trás do show gratuito com artistas na Esplanada dos Ministérios. A partir daí, passou a acompanhar o presidente em agendas oficiais e viagens internacionais e a atuar em temas como combate à fome e à pobreza, direitos das mulheres e enfrentamento à violência de gênero. Em 2025, foi indicada enviada especial da COP30 para Mulheres; em março de 2026, tornou-se Campeã da Boa Vontade da FAO contra a Fome. Neste ano, também passou a integrar a articulação do Pacto Brasil contra o Feminicídio, lançado pelo governo federal com participação dos três Poderes.

Na campanha de 2026, Janja discursou no lançamento da candidatura de Lula à reeleição, em São Bernardo do Campo, e cantou um dos jingles ao lado do cantor gospel Kleber Lucas. Também participou de caminhadas e atos de campanha no Distrito Federal e, no segundo turno, esteve em uma carreata em Ceilândia ao lado de Lula e do candidato petista ao governo local.

A visibilidade da primeira-dama, porém, provocou atrito dentro do PT. Depois do resultado do primeiro turno, cresceram as críticas internas à presença constante de Janja em reuniões de campanha, nas quais ela teria interrompido participantes, além de questionamentos sobre interferências em decisões de estratégia. Em reunião de Lula com aliados em Brasília, em 6 de outubro, para discutir ajustes para o segundo turno, surgiram críticas ao papel da primeira-dama; um dia depois, a ex-senadora e coordenadora da campanha de Lula no Tocantins, Kátia Abreu (PT), afirmou publicamente que Janja “está ocupando um espaço maior” do que o vice-presidente Geraldo Alckmin. Momentos em que a primeira-dama cantava o jingle “Tapete vermelho”, em tom gospel que exalta a trajetória política de Lula, também incomodavam parte da legenda.

No dia da votação, Janja compareceu por volta das 12h40 ao Colégio Rainha da Paz, no Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, e à noite acompanhou Lula no hotel InterContinental, na capital paulista, durante a apuração dos resultados. Mais cedo, em São Bernardo do Campo, após um jornalista comentar sobre o semblante do presidente, ela respondeu mandando-o “se catar”.

A expectativa no entorno do presidente é que a primeira-dama mantenha, no novo mandato, a atuação intensa que marcou os últimos quatro anos. É atribuída a ela parte da mudança na imagem de Lula, sobretudo no debate sobre as mulheres, e a avaliação é que o estilo mais assertivo adotado por Janja deve continuar na gestão que se inicia.

Foto: Jovem Pan

📊 No Reeleito

No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.

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