Reforma tributária pode elevar imposto de consultorias em até 182%
Levantamento de escritório de advocacia mostra que empresas de mão de obra intensiva perderão créditos tributários, enquanto indústria e varejo devem pagar menos a partir de 2027

Empresas de consultoria poderão pagar até 182,3% mais impostos a partir de 2027, quando a nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) deve substituir o PIS e a Cofins, segundo simulação feita pelo escritório Natal & Manssur Advogados. Para agências de comunicação, o aumento estimado é de até 130,1%. Já indústrias e empresas de comércio varejista devem registrar queda na carga tributária com a mudança.
O levantamento atribui a diferença à forma como cada setor consegue aproveitar créditos tributários dentro do novo sistema. Negócios que dependem principalmente de mão de obra própria, como consultorias e agências, têm menos despesas que geram crédito para abater do imposto a pagar. Indústrias e varejistas, por comprarem grandes volumes de mercadorias e insumos, tendem a acumular mais créditos e, por isso, a pagar menos.
Nos cenários simulados pelo escritório, uma indústria teria redução de 22,9% no valor recolhido, e uma empresa de comércio varejista, queda de 23,3%. Os números resultam de oito simulações hipotéticas, construídas com diferentes regimes de tributação e níveis de aproveitamento de crédito, e não correspondem a médias estatísticas dos setores nem contemplam todas as particularidades de cada negócio.
“O número que merece atenção não é apenas a alíquota da CBS, mas quanto cada empresa conseguirá abater por meio dos créditos. Negócios que dependem intensamente de mão de obra própria podem sentir um impacto maior, porque a remuneração da equipe, em regra, não gera esse crédito”, afirma Eduardo Natal, sócio do escritório Natal & Manssur Advogados.
O estudo utilizou como referência uma alíquota de 11,2% para a CBS em 2027. Na semana anterior à divulgação do levantamento, o Tribunal de Contas da União havia aprovado o cálculo de uma alíquota de referência de 11,3% para o tributo, número que ainda precisa ser definido pelo Senado. A CBS deve entrar em vigor em janeiro, substituindo o PIS e a Cofins como parte da implementação da reforma tributária.
Mesmo com a promessa de manter estável a arrecadação total do governo, o estudo indica que a transição pode exigir ajustes individuais em cada empresa, como revisão de preços, contratos e margens de lucro, especialmente nos setores que dependem mais de mão de obra própria.
Foto: Veja
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