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2 de nov de 2026

PL terá maior bancada do Senado desde 1988 e amplia pressão sobre Lula

A partir de fevereiro de 2027, partido ocupará 29 das 81 cadeiras da Casa e reunirá força suficiente para abrir CPIs sem apoio de outras siglas

O Partido Liberal (PL) terá, a partir de fevereiro de 2027, a maior bancada de um único partido no início de uma legislatura do Senado desde a promulgação da Constituição de 1988. A sigla ocupará 29 das 81 cadeiras da Casa, o equivalente a 36% do total, quando tomarem posse os parlamentares eleitos em outubro de 2026, ampliando a capacidade de pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O número leva em conta o resultado das eleições de outubro e a entrada de suplentes nas vagas de senadores eleitos governadores no segundo turno. Com a nova composição, o PL terá quase o triplo dos senadores do PT, que será o segundo maior partido da Casa, com dez cadeiras.

No início de 2026, o PL já despontava como a maior bancada do Senado, mas com 15 integrantes. A partir do próximo ano, a representação do partido praticamente dobra. Ainda assim, a legenda não alcançará a maioria absoluta: são necessários pelo menos 41 votos para aprovar projetos de lei complementar ou indicações de ministros ao Supremo Tribunal Federal, e 49 votos em dois turnos para emendas constitucionais, o que obriga o partido a negociar com outras siglas tanto para avançar suas propostas quanto para bloquear iniciativas do governo.

O crescimento da bancada deve reforçar o poder de fiscalização sobre o Executivo. O regimento do Senado exige assinaturas de ao menos 27 parlamentares para requerer a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI); com 29 integrantes, o PL passa a ter número suficiente para apresentar sozinho esse tipo de requerimento, desde que cumpridos os demais requisitos constitucionais e regimentais. A bancada também ganha mais força para articular convocações de ministros de Estado e para negociar a composição das comissões responsáveis pela fiscalização do governo.

O tamanho da bancada ainda amplia o peso do partido na análise de vetos presidenciais e na votação de indicações para cargos como ministros do STF, procurador-geral da República, diretores do Banco Central, dirigentes de agências reguladoras e embaixadores. Um consultor legislativo avalia que uma bancada com mais de um terço da Casa aumenta a necessidade de negociação entre o Palácio do Planalto e a oposição antes da apresentação de nomes para postos estratégicos, já que o partido pode dificultar a formação da maioria necessária à aprovação, mesmo sem ter votos para rejeitar uma indicação isoladamente.

O novo tamanho das bancadas deve pesar também na disputa pelo comando do Senado, incluindo a eleição do presidente da Casa e da Mesa Diretora, cargos considerados estratégicos por concentrarem a definição da pauta de votações. A articulação política em torno dessas disputas já é observada antes do início da nova legislatura, prevista para fevereiro de 2027.

Foto: Jovem Pan

📊 No Reeleito

No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.

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