Lula e Flávio Bolsonaro intensificam rua e redes antes do debate final
A três dias do segundo turno, candidatos reforçam agenda de viagens e ataques digitais na reta final da campanha presidencial

A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram esforços simultâneos em três frentes: mobilização de rua, disputa de narrativas nas redes sociais e preparação para o último debate entre os presidenciáveis, marcado para sexta-feira (23) na TV Globo.
Ao longo da semana, os dois candidatos percorreram diferentes regiões do país em busca de votos. Flávio Bolsonaro cumpriu agenda que incluiu Pará, Amazonas, São Paulo e Ceará. Lula visitou Porto Alegre (RS), São Luís (MA), Juazeiro (CE), Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG), sempre ao lado de governadores, políticos e lideranças regionais.
No ambiente digital, as duas campanhas adotaram tom mais agressivo. O lado de Flávio Bolsonaro tem explorado o custo de vida e o endividamento das famílias, atribuindo a situação ao governo Lula, além de reforçar investigações que atingem pessoas próximas ao presidente, como as suspeitas envolvendo o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e os esquemas ligados ao INSS. Já a campanha petista passou a resgatar falas antigas do entorno de Flávio, incluindo declarações da coordenadora de campanha para temas econômicos, Daniella Marques, que geraram dúvidas sobre a manutenção do Bolsa Família em um eventual governo do senador. A campanha de Lula também relembrou o voto de Flávio contrário à licença-maternidade de servidoras do Rio de Janeiro, em 2009, e sua atuação como advogado de um policial acusado de matar uma menina de 5 anos em Niterói.
Os dois candidatos planejam encerrar a campanha no sábado (24) nos três maiores colégios eleitorais do país. Lula deve participar de um ato com artistas e apoiadores no Rio de Janeiro, além de passar por São Paulo. Flávio Bolsonaro vai a Belo Horizonte para o chamado "Bloco do Nikolas", evento do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) com formato de bloco de carnaval, e depois segue ao Rio de Janeiro, onde está prevista uma carreata na Barra da Tijuca até a casa de Jair Bolsonaro (PL).
A analista de política Larissa Rodrigues avalia que a presença dos candidatos nas ruas ganhou peso nesta reta final, algo menos evidente no primeiro turno. "Quem acabou puxando essa linha da manifestação na rua com a presença dos presidenciáveis foi o próprio PT", afirmou, lembrando que a participação de Lula em um ato não estava prevista e foi anunciada de última hora por Guilherme Boulos.
Diante da mobilização petista nas ruas e da aproximação nas pesquisas, Flávio Bolsonaro também passou a intensificar sua presença física na campanha. Segundo a analista, mesmo com o protagonismo das redes sociais nesta eleição, a campanha de rua se tornou um fator decisivo no fim do segundo turno.
Foto: CNN Brasil
No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.