Voto branco ou nulo pode mudar resultado do 2º turno? Entenda
Regra do TSE exclui abstenções, brancos e nulos do cálculo que define o vencedor entre Lula e Flávio Bolsonaro

Os votos em branco e os votos nulos não têm poder de alterar o resultado do segundo turno da eleição presidencial de 2026, disputado neste domingo (25) entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Pelas regras da Justiça Eleitoral, esses registros ficam fora do cálculo usado para apurar o vencedor, o que vale também para as disputas de governador que serão decididas no mesmo dia.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vence o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, ou seja, mais da metade dos votos destinados a um dos dois concorrentes. Abstenções, votos em branco e votos nulos não entram nessa conta, independentemente do volume que atinjam. Isso significa que o resultado é definido exclusivamente pela comparação entre os votos recebidos por Lula e por Flávio Bolsonaro.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, foram contabilizados 119.300.788 votos válidos dentro de um total de 125.275.835 eleitores que compareceram às urnas. Houve 33.469.244 abstenções, equivalentes a 21,08% do eleitorado, além de 3.674.249 votos nulos e 2.300.798 votos em branco. Nessa etapa, Flávio Bolsonaro obteve 56.104.503 votos (47,03% dos válidos) e Lula somou 53.879.538 (45,16%), uma diferença de 1,87 ponto percentual — a menor registrada entre os dois primeiros colocados de um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.
O número total de eleitores aptos a votar em 2026 é apontado de forma ligeiramente diferente conforme a fonte: há registros de 158.745.502 e de 158.745.463 eleitores cadastrados pelo TSE. De qualquer forma, o comparecimento às urnas não é obrigatório para todas as faixas etárias, e quem não votou no primeiro turno pode participar da segunda rodada, desde que esteja com a situação eleitoral regular.
Desde que o sistema de segundo turno foi instituído, em 1989, nenhum candidato que chegou em segundo lugar na primeira votação conseguiu reverter o resultado na rodada final — fontes divergem sobre o total de eleições computadas nesse histórico, citando sete ou oito segundos turnos decididos até 2022, sempre com a manutenção do candidato mais votado no primeiro turno. A margem mais estreita registrada em uma segunda votação havia sido em 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,90% a 49,10%, diferença de 1,80 ponto percentual.
Além da disputa presidencial, o segundo turno de 2026 também define os governos do Acre, do Amazonas, do Espírito Santo, do Rio Grande do Norte, do Tocantins e do Distrito Federal. Em todos os casos, a mesma regra se aplica: vence o candidato com a maioria dos votos válidos apurados na respectiva unidade da Federação, com votos brancos e nulos excluídos do cálculo.
Foto: Estadão
No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.