Governadores conquistam reeleição em 11 de 18 estados no 1º turno
Resultado mantém padrão de continuidade observado nos estados desde 1998, mas Minas Gerais e mais quatro estados trocaram de comando.

No primeiro turno das eleições estaduais de 2026, 11 dos 18 governadores que disputaram a reeleição conseguiram permanecer no cargo. Entre eles estão três vice-governadores que haviam assumido o comando de seus estados em caráter de mandato-tampão antes do pleito, após a saída dos titulares para concorrer a outros cargos.
O resultado confirma uma tendência observada nos estados desde 1998, ano em que passou a valer a possibilidade de reeleição no país, criada pela Emenda Constitucional 16. Em 2022, a reeleição havia atingido o maior índice da série, com 18 governadores reconduzidos ao cargo — acima dos 15 registrados na eleição de 1998. Em 2026, o número de vitórias entre os que tentaram se reeleger ficou em patamar inferior ao do pleito anterior.
Em Goiás, Mato Grosso e Paraíba, os vencedores foram os vices que assumiram a cadeira de governador nos meses anteriores à eleição: Daniel Vilela (MDB), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Lucas Ribeiro (PP), respectivamente. Os três contaram com apoio ativo de seus antecessores — Ronaldo Caiado (PSD), Mauro Mendes (União) e João Azevedo (PSB) —, que deixaram os cargos com índices elevados de aprovação. As campanhas dos três buscaram afastar a disputa estadual da polarização nacional entre lulismo e bolsonarismo, com discurso centrado em obras e entregas de gestão.
Entre os derrotados estão Mateus Simões (PSD), em Minas Gerais, Roberto Cidades (União), no Amazonas, Clécio Luís (União Brasil), no Amapá, Soldado Sampaio (Republicanos), em Roraima, e Hana Ghassan (MDB), no Pará. Com exceção de Clécio Luís, os demais haviam assumido o governo de seus estados entre março e abril de 2026, no lugar de titulares que chegaram à eleição com graus distintos de desgaste político.
O caso de Minas Gerais apresenta particularidades em relação aos outros estados. A disputa mineira se encerrou no primeiro turno, assim como em outros 20 estados, com a vitória do senador Cleitinho (Republicanos), que concorria pela primeira vez a um cargo do Executivo. Cleitinho não se associou às campanhas do presidente Lula (PT) nem do senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado, apesar de ter declarado voto a Flávio Bolsonaro, que não lhe deu apoio explícito em Minas.
A derrota de Mateus Simões, pouco conhecido do eleitorado mineiro, ocorre no encerramento do segundo mandato do governo estadual liderado por Romeu Zema (Novo), hoje candidato à Presidência da República. Segundo a análise, o desgaste da imagem política de Zema ao longo dos dois mandatos, associado a dificuldades de comunicação do governo, influenciou o desempenho de seu candidato à sucessão.
Foto: Estado de Minas
No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.